A usabilidade da boca do leão – parte 2

Com o tempo e a prática de declarar anualmente, o usuário acaba entendendo e se acostumando – em parte – com as nomenclaturas e idiosincrasias do IRPF. Só que um programa utilizado uma vez por ano não permite tempo para adaptação. Dúvidas novas sempre surgem, dúvidas antigas persistem – e o feedback de sucesso só vem meses depois, quando passa o prazo do aviso de que a gente caiu na malha fina… Mas os mais perdidos mesmo são os novos usuários. Você deu um Google, chegou direto na página de download, nem leu nada e já baixou correndo o IRPF. Instalou, abriu, e….

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– Não fica claro que tipo de declaração deverá ser feita, já que existem três tipos, dois momentos, e duas formas de tributação. As nomenclaturas não são claras: Declaração de Ajuste Anual parece… um ajuste de algo que já foi feito. E, pasme: é isso mesmo. Você pagou imposto retido na fonte o ano todo. Na declaração, coloca outras informações e verifica se o que pagou está certo ou não, se precisa pagar mais ou receber de volta.

– A opção por original ou retificadora poderia ser feita na primeira tela, junto com a escolha do tipo de declaração.

– A ordem dos itens no menu não é a ordem em que o usuário tem que fazer as tarefas. “Verificar pendências” vem depois do “Enviar”, por exemplo. “Importar dados da declaração anterior” tinha que estar mais no inicio, perto do “Nova” ou “Abrir”.

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– Dentro das “fichas” (que, como o nome indica, repete uma estrutura analógica) não existe, em nenhum momento, um botão “Próximo” – o que ajudaria os novos usuários a saberem para onde devem ir, entendendo a sequência das obrigatoriedades. O usuário acaba procurando o botão “Próximo” e encontra… o botão “Ajuda”, que está no lugar clássico do botão normalmente utilizado para passar para o próximo item.

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– Não fica claro que a declaração está sendo salva automaticamente. Não há nenhum botão para salvar ou continuar. O usuário tem que ir para o próximo item do menu e esperar que as informações estejam sendo salvas. O programa salva as informações automaticamente, e informa, na barra inferior, o último horário em que as informações foram gravadas. Mas isso pode não ser percebido por usuários pouco atentos, e a falta de feedback pode causar insegurança na hora de mudar de “ficha”.

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– Os campos não têm ajuda ou informação (o que é isso? Onde encontro esta informação?) Quando existentes, as informações não são claras ou suficientes.

– As máscaras nos campos de texto têm problemas. Não permitem copiar-colar de outro lugar; se o usuário erra um numero, não é possível corrigir só ele, é necessário apagar tudo que vem depois; só formata depois que sai do campo. E, ao colocar o cursor no meio do campo, ele só dá espaço para digitar parte do conteúdo.

– Os nomes e termos usados no software mantêm o padrão juridíco, não se aproximam da linguagem do público que utiliza o programa, tornando a tarefa mais árdua e cansativa. Além de confundir o cidadão, isso pode causar preenchimento equivocado e até transtornos junto à Receita Federal. Quer confusão maior do que “Exercicio 2012, ano-calendário 2011”?

– Em alguns campos é aberta uma janela para preenchimento de detalhamento do item. Porém, uma vez aberta a janela, não há como cancelar a criação do item; em caso de erro, o usuário deve criar e depois deletar.

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– O programa não informa os campos de preenchimento obrigatório. Em pagamentos efetuados, por exemplo, não há nenhuma indicação de que é obrigatório declarar o pagamento de aluguel. Em rendimentos não tributáveis, não fica claro se é tudo obrigatório ou se há itens que podem não ser declarados.

PONTOS POSITIVOS:

– Aviso em vermelho ao lado do campo enquanto o preenchimento está errado.

– O droplist com autocomplete para as opções é bom, embora as categorias às vezes sejam confusas.

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(Análise de Carolina Michelassi, Daniela Sato, Danilo Borges, Diego Rezende, Renata Moreira)

Perdeu a parte 1? Confira aqui.

Veja o post final. 



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