A usabilidade da boca do leão – parte 3

Você conseguiu. Achou os campos certos para todas as informações que vieram no informe de rendimentos do seu empregador, descobriu onde colar o valor que recebeu da herança da tia-avó, declarou as 60 prestações do seu carrão 1.0 e informou nos campos adequados os caraminguás que tinha na conta corrente no dia 31/12. Agora é salvar e enviar.

– Salvar não, porque não há um botão “Salvar” (veja post anterior). Você pode ou gravar cópia de segurança ou gravar para transmitir. Mas, ao clicar ali, o programa informa que só é possível continuar após fechar a declaração aberta, passando a sensação de que algo errado aconteceu.

– O local padrão para gravar a declaração é a pasta de arquivos dos programas do IRPF do ano, tornando mais dificil achar o arquivo para o Receitanet. Depois de salvo o arquivo, o programa não deixa salvar em outro lugar.

gravar2

– Por fim, a escolha da tributação: modelo simplificado ou completo? O programa poderia tentar identificar a forma da tributação já após a criação da declaração. O ícone que permite a comparação dos dois tipos de declaração, uma ferramenta muito importante para essa decisão, é uma lupa – padrão utilizado para busca, e não para comparação.

tipo de tributacao

Sugestões

Pensamos em algumas melhorias que poderiam facilitar o preenchimento da declaração do IRPF. Não teria como listarmos aqui sugestões para todos os problemas do sistema da Receita Federal, mas as que colocamos já trariam benefícios ao contribuinte e tornariam o processo menos árduo, principalmente para os iniciantes.

Segundo o supervisor nacional do IRPF, Joaquim Adir, em entrevista para o Correio Braziliense, o número de brasileiros na faixa obrigatória para informar bens, despesas e rendimentos ao Leão aumentou dez vezes nos últimos dez anos, de 3 para 30 milhões, devido ao avanço da economia nacional. Portanto, acreditamos que o programa deveria oferecer um caminho mais intuitivo para os novos declarantes. Como vimos nos posts anteriores, a tarefa de descobrir o que precisa ser declarado e como isso deve ser feito não é simples e poderia incorporar algumas funcionalidades para reduzir essa curva de aprendizado. Por exemplo:

– Para o novo declarante, seria interessante apresentar um wizard, espécie de tutorial, que fosse capaz de ajudá-lo a percorrer as etapas necessárias para inserir e enviar os dados da declaração pelo sistema.

– A possibilidade do declarante identificar seu perfil de contribuinte para que o sistema apresente informações condizentes a ele pode contribuir de forma positiva no rompimento dessa barreira na compreensão de todo o processo. Ainda no primeiro acesso, o contribuinte poderia visualizar as informações mais comuns a serem declaradas divididas em temas – como imóvel, carro, investimento, educação e salário – para que, dentro de cada um, ele veja as situações mais comuns. Isso seria uma maneira rápida de cobrir o que pode ser o cenário da maior parte da população.

– Seguindo essa mesma linha e considerando que o poder aquisitivo de grande parte dos brasileiros não é alterado de forma significativa de um ano para outro, ao importar uma declaração anterior o sistema deveria exibir apenas as opções que contém alguma informação preenchida, evitando bombardear o usuário com páginas que ele não irá acessar de qualquer maneira.

Pensamos também em melhorias simples que poderão fazer uma grande diferença no momento de preencher os dados:

– O sistema poderia oferecer uma calculadora já com as fórmulas de desconto. Por exemplo, para fazer as contas de INSS e imposto retido na fonte de trabalhos esporádicos;

– Em todos os momentos, e principalmente dentro de “Bens e direitos”, é preciso deixar claro o que é obrigatório e o que não é;

– Em campos de endereço, o sistema deveria usar o recurso de busca pelo código postal.

 

Veja como a série começou.

E veja também o segundo post.

 



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