Os mitos do mobile – comentados

Esbarramos num artigo que comenta alguns mitos sobre a utilização de dispositivos móveis. O artigo traz dados surpreendentes e constatações interessantes sobre o uso desses dispositivos nos Estados Unidos – seria legal ver como anda a situação no Brasil, mas dá pra imaginar que seja o mesmo panorama, intensificado. Seguem os pontos que chamaram mais a nossa atenção, com livre tradução e alguns comentários nossos sobre o assunto:

•          Dispositivos móveis são usados “em trânsito” – uma pesquisa do Google nos EUA revelou que 60% do uso de smartphones e 79% do uso de tablets é feito em casa, e não enquanto os usuários se deslocam de um lugar para outro (Esse mito todo mundo já ouviu em alguma reunião. Imaginamos que acontece de forma semelhante no Brasil, ainda com o agravante de que as conexões 3G de R$0,50 por dia não são muito estáveis e rápidas. Fale a verdade: você usa mais o celular sentado no sofá vendo TV, deitado na cama, ou no meio da rua?)

•          Só usuários mobile estão distraídos – usuários de desktop não tem que desviar de pedestres ou outros obstáculos físicos enquanto usam sites, mas estão sempre fazendo várias tarefas ao mesmo tempo ou pensando sobre várias coisas – não se iluda, todos os usuários estão distraídos o tempo todo! (Por isso, na hora de projetar qualquer tela – desktop ou mobile – temos que ter em mente que, no meio da tarefa, o usuário pode SIM “esquecer” o que estava fazendo e precisar de contexto novamente)

•          A versão mobile deveria dar suporte só a algumas tarefas do site – há 10 anos, as pessoas acessavam um site pelo celular com uma necessidade específica e imediata, a entrada de texto era dificultada pelo teclado numérico e as conexões de dados eram caras e lentas. Hoje, para um grande segmento de americanos,  a principal forma de acesso à internet é através de dispositivos móveis: 45% dos jovens americanos entre 18 e 29 anos navegam principalmente via mobile; 59% dos americanos que ganham menos de U$30.000 por ano não tem acesso a internet em casa – para eles, mobile é a única forma de conexão. Esses usuários esperam que todo o conteúdo que o site oferece apareça ali, pois dificilmente vão acessá-lo novamente num desktop para descobrir se há mais a explorar. Temos que considerar também que o usuário, quando está em casa, pode simplesmente escolher acessar a internet pelo dispositivo que está mais à mão naquele momento. (No Brasil isso é ainda mais importante. O celular é a grande porta de entrada para o mundo digital e o número de pessoas com acesso apenas mobile só cresce. Relacionando com o primeiro mito, vemos que o conteúdo que o usuário vai acessar depende menos do dispositivo e mais da sua necessidade no momento. Por isso, não cabe a nós dizer o que ele pode ou não fazer pelo celular. Podemos, sim, utilizar o conceito de “mobile first” para perceber conteúdos que não são importantes em nenhum caso de uso e, portanto, podem ser cortados do site como um todo. Até formulários complexos podem ser, sim, adaptados para se usar no celular)

•          O padrão mobile já está maduro – Começam a surgir rumores de que esse mercado já está saturado, mas metade dos americanos ainda não possuem um smartphone e 12% não possuem nem sequer um celular – outros mercados desenvolvidos como UK e Alemanha mostram padrões similares, e em mercados emergentes deve levar anos para que se atinja 50% da população. Além disso, o design para mobile não pode ser considerado maduro pois ainda há um número muito reduzido de empresas oferecendo uma experiência mobile completa e satisfatória: as pessoas usam seus dispositivos móveis mais de duas horas por dia, mas ainda veem sites otimizados para desktop. (Por isso, cuidado com “a última moda de apps design” – quem é o público alvo do seu app? Quais são as necessidades do projeto? Sem essas respostas, um determinado padrão de interface ainda pode ser muito difícil para os usuários)

Artigo completo: http://uxmag.com/articles/six-mobile-myths



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