O que eu aprendi no #isa13

A Saiba + acompanhou o Interaction South America 2013 em Recife e voltou de lá com muitas ideias. Vamos começar uma série de posts com a visão de cada sabidinha presente no evento. Alessandra Nahra é a primeira:

Às vezes a gente fica tão debruçado sobre um tema que não consegue enxergar o contexto. E assim não percebe qual é a solução para o problema, porque perceber requer levantar a cabeça e mudar a perspectiva do olhar.

É isso que conferências fazem. A gente levanta a cabeça do wireframe e, por uns dias, vê a coisa de outro ponto de vista.

O problema: a sensação de falta de sentido no que a gente faz. Que às vezes acomete todo mundo que faz [o que a gente faz] [qualquer coisa]. É ou não é?

Uma possível resposta para isso é que UX não tem mais graça como fim, que UX tem que ser um meio. Temos que deixar de fazer UX e começar a fazer coisas.

Esse problema também é decorrente de se debruçar demasiadamente sobre um tema. É como olhar pelo microscópio permanente. A gente esquece que isso que a gente faz – métodos de UX – não são o fim, não são a coisa. A gente nem sequer entrega um site. Fazemos só uma parte, um processo.

Uma metáfora que usei pra explicar para um amigo que não é da área:

Eu adoro cozinhar, cozinhar é o que eu quero fazer da vida. Eu alimento pessoas, e isso é tudo que me interessa hoje. Mas, se eu vou passar a vida toda fazendo isso, em 20, 30 anos vai fazer diferença pra mim quem eu alimento. Que projeto eu alimento. Cozinhar apenas não vai ME alimentar, in the long run. A COISA que eu construo com o meu cozinhar é o que é importante. Cozinhar/alimentar é o meio. Se for o fim, chega uma hora que não vai mais fazer sentido pra mim. Reflita: sou uma cozinheira de um campo de concentração x sou uma cozinheira de um campo de refugiados.

No Interaction South America 2013, as palestras mais legais NÃO foram sobre design de interação/UX. A mais aplaudida foi a do Luciano Meira, que falou sobre hackear a escola através de jogos de conhecimento, e de como eles estão fazendo isso em Pernambuco. A outra mais aplaudida foi do Bill Buxton, que disse que a gente precisa pensar no contexto e nas implicações: “Now that we CAN build anything, what SHOULD we build?”

É uma excelente questão.

Se UX não pode ser um fim e tem que ser um meio, e se vamos deixar de fazer UX e começar a fazer coisas, que coisas são essas?

– Talvez a gente tenha que entregar um produto (ex: fazer mesmo, de verdade, o site)

– Talvez a gente tenha que inserir o nosso trabalho em projetos que construam alguma coisa para a sociedade, para o mundo (ex: os jogos de aprendizado do Luciano Meira)

Ou, como sugeriu o meu amigo, atuar como uma espécie de Robin Hood da usabilidade, trabalhando para “os ricos” para financiar o bem (pra falar a verdade, o exemplo dele era o Jamie Oliver, “que, ao alimentar os abastados, usa o dinheiro para desenvolver projetos de educação e formação para quem precisa”).

Pode ser bem por aí.

 



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