O que eu aprendi no ISA13 – parte 2

Frequento – e organizo – eventos da área de UX já há alguns anos e acompanho os temas que emergem em cada um.

Nos idos de 2006, a disciplina ainda olhava para o próprio umbigo. “Defining the damm thing” foi o tema recorrente. Os eventos serviam justamente para criarmos um vocabulário comum.

Nos anos seguintes, o foco foi passando por tendências da moda: navegação facetada e tags; metodologias ágeis; mobile first; design responsivo; service design, design thinking e mais tantas buzzwords. Os eventos passaram a ser um lugar de discussão dos meios e ferramentas para o nosso fazer.

O ISA13 teve em sua programação um pouco dessa história. O primeiro dia olhou para dentro da disciplina. Até o “quem somos e para que viemos” esteve presente, na palestra do Santiago Bustelo, que discorreu sobre como trazer mais reconhecimento para a área – uma discussão que não me pareceu tão relevante.

O ponto alto da sexta-feira foi o trabalho de Pedro Miguel Cruz, que mostrou experiências de visualização de informações de trânsito sobre o mapa de Lisboa – tema que tangencia nossa área, mas é diferente o suficiente para gerar estranhamento.

Outras palestras falaram sobre o processo de design, métodos de pesquisa e até arquitetura do mundo físico. No fim do dia, eu fiquei pensando se me tornei uma pessoa chata. Nenhuma das falas me tocou de verdade. Será que UX não me encanta mais? Que temas me interessam? O que eu esperava aprender aqui?

No segundo dia, confesso que preferi ir à praia dar “Oi” aos tubas na parte da manhã. Passar 3 dias em Recife só no ar-condicionado não dá, né?

Cheguei depois do almoço para acompanhar a programação da tarde e, que grata surpresa. Sara Córdoba falou de processos de design, mas com um olhar de rede entre empresas e profissionais que fez muito sentido para nossa realidade. Com um estúdio de apenas cinco pessoas, eles atuam como facilitadores da colaboração entre empresas, usando métodos de design. Catarina Mota falou sobre design hackeável e mostrou exemplos incríveis da junção da cultura do “faça você mesmo” com o que a tecnologia nos permite ver hoje. Vale conferir mais sobre seu trabalho.

Jared Spool foi exatamente o que se esperava dele. Como bem definiu Alessandra Nahra, ele é o Jerry Seinfeld da usabilidade – fala sobre o óbvio, mas de forma divertida e inteligente. Há quem o critique por se preocupar mais com o show do que com o conteúdo, mas acho que ele consegue dosar bem. Não falou nenhuma novidade, mas conseguiu nos lembrar de ideias importantes.

Bill Buxton desmistificou o conceito de inovação, mostrando que o ciclo de vida de grandes ideias é bastante longo. Para ele, precisamos olhar para a tecnologia já disponível hoje como curadores. Ele também falou sobre a necessidade de uma verdadeira integração entre as máquinas – a profusão de interfaces e aparelhos específicos e que não se falam acaba gerando mais ruído do que ajuda. Sua palestra foi uma das mais densas e conceituais – ele nos propôs pensar além do dia-a-dia do fazer.

Entre tantos figurões internacionais da área, a palestra que mais me emocionou foi local. Luciano Meira falou sobre os novos desafios da educação e de como a área de experiência de uso tem a acrescentar nesse meio. Como estrangeiro nesse contexto, ele nos convidou a agir para criar uma nova forma de educar e mostrou um pouco do projeto oje.

No fim do segundo dia, pude responder aos questionamentos do primeiro. Sim, eu ainda posso me encantar. Eventos servem para renovarmos nossa “fé”. Começamos olhando para o espelho, seguimos conversando sobre métodos, processos e tecnologias. No ISA13, começamos a olhar para fora da disciplina. Já estava na hora.



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