Insights do Interaction South America 2013

Bom, todo mundo já postou sobre os figurões, as maiores palestras e as coisas mais revolucionárias… como não sou muito das filosofias amplas (!), ainda sinto falta de citar as coisas mais práticas, exaltar aqueles pequenos exemplos (que dão um estalo ou nos quais não pensamos com frequência no dia a dia) que podem mudar pouco a pouco a nossa atitude ao exercer nossa profissão 🙂

Segue algumas provocações que me chamaram a atenção, extraídos de cases de mercado, Lightning Talks e palestras (em ordem de aparição):

  • Os relatórios de usabilidade que fazemos são (ou deveriam ser) lidos por desenvolvedores e gerentes, pessoas que não são da nossa área. Será que eles têm tempo ou perfil para ler algo de 60 páginas, minuciosamente detalhado? Que tal ser mais sucinto na escrita e conversar mais com os interessados? Que tal entregar algo num formato bom para o desenvolvedor colar na parede e ter em mente o tempo todo enquanto programa?  [Ricardo Couto, Semantics, Infográficos como relatórios de pesquisas qualitativas]
  • Será que nosso público alvo é mesmo aquele estereótipo que imaginamos? O pessoal que estudou o uso dos fogões conectados (quase com um tablet embutido) da Brastemp se espantou ao descobrir que não eram só os jovens descolados que curtiam a ideia, mas algumas vovós também! [Jorge Gomes e colegas, Whirlpool Latin America, Fogão Brastemp Smart Cook – eletrodoméstico conectado]
  • Precisa modelar um sistema, mapear a jornada dos envolvidos? Que tal começar fazendo um vídeo dos passos de um paciente durante seu atendimento no hospital? [Natalia Arsand e Glauber, Como HCD e Agilidade ajudaram na construção do sistema interno do maior hospital do Haiti]
  • Será que os designers estão preparados para fazer algo com formato e valor adequado a classe C? Ela já representa quase 60% da população brasileira e, apesar de ser muito ampla, dá pra perceber que boa parte dela ainda não consegue comprar os produtos projetados para as classes AB, enquanto não se contenta mais com o que é feito para as classes DE. Estatísticas interessantes mostram a grande oportunidade para o mercado: 30% já têm smartphones e 40% pensam em trocar de aparelho em 6 meses. A maioria tem aparelhos da Samsung, não da Apple. [Marília Matoso de Albuquerque, Classe C e o Design]
  • Você tem muitas paredes livres no seu local de trabalho? Elas são muito importantes para facilitar a colaboração entre as pessoas! Rabiscar nelas é um convite para pensar em conjunto, discutir e ampliar ao invés de só apresentar ideias para os outros. [Dave Malouf, Serendipity by Design: Why Design Works]
  • O que é qualidade? Já parou pra pensar nela como um triângulo, com os lados sendo o custo, o escopo e o prazo? O que acontece se você altera um lado sem alterar os outros? Pois é, a matemática garante que ela será fatalmente distorcida! [Santiago Bustelo, On earning respect and doing what we love]
  • Como você vai criar uma empresa pra fazer coisas diferentes se montar uma estrutura exatamente igual as outras, com os mesmos papéis, mesmos tipos de profissionais e mais preocupação em deixar o cliente feliz do que o seu próprio funcionário? Faltam também empresas que entendam as pessoas: hospitais que se importem com o paciente, seguro contra a perda de um celular (simples falha humana, sem uma ameaça envolvida!), alimentos que não envenenem quem consome… [Arne van Oosterom, When Serendipity Happens]
  • Já pensou em como pode ser produtivo, rico e ágil ter equipes pequenas (5 pessoas) focadas num projeto, com galera de design, negócio, UX e desenvolvimento fisicamente juntas, colaborando desde a prototipação até ficar pronto? Talvez o esquema “fordista” que vemos hoje com as agências e consultorias, cada um apertando seu parafuso sem muito envolvimento com o processo todo, esteja ficando ultrapassado… [Josh Seiden, User Experience in a Rapidly Changing World]
  • Quando você faz uma entrevista para um teste de usabilidade, leva em conta que num contexto normal aquela pessoa estaria conversando com outras, pegando recomendações, pedindo auxílio, considerando o que os outros iam pensar sobre ela comprar aquele produto polêmico em particular (e não o produto “lorem ipsum” que aparece no protótipo)? Será que não seria interessante começarmos a levar para as sessões “o casal” que usaria o site para comprar imóveis, e não só um deles, que jamais faria isso sozinho numa situação real? [Dana Chisnell, Rethinking User Research for the Social Web]
  • Faz alguma diferença para o cliente se aquilo é um produto ou um serviço? O importante é atender as necessidades dele e o satisfazer! BTW, a satisfação está ligada à expectativa que se tem sobre uma coisa versus a experiência que se tem com ela depois. Se for pensar, é assim pra tudo na vida, então cuidado com muita expectativa 😉 [Marc Stickdorn, Service Design Thinking: How To Successfully Innovate Beyond Buzzwords]
  • Será que é possível achar inovação dentro da sua zona de conforto? Talvez a chave esteja na intersecção das disciplinas. [Sara Córdoba, Network Focused Design]
  • Já tentou propor ao grande executivo que tente usar seu próprio site em seu iPhone ou iPad, para perceber como seus clientes sofrem com a falta de uma boa UX ao utilizá-lo? Por que a interface mobile tem campos num formulário me perguntando onde estou, se ela sabe?! Muitas coisas (como funcionar bem no mobile e descobrir automaticamente onde estou, sem eu ter que informar) são “extras deliciosos” para uma geração inicial, mas depois passam a ser necessidades básicas para a próxima – logo, não podemos negligenciá-las, mesmo que não sejam pedidas explicitamente. [Jared Spool, Mobile & UX: Inside the Eye of the Perfect Storm]
  • O que te leva a comprar um novo smartphone? Tudo o que é novo, além de agregar valor, deve diminuir a complexidade do que já se tinha antes e se integrar com as coisas que já temos, de forma cada vez mais fluida. [Bill Buxton, Why eBay is a Better Prototyping Tool than a 3D Printer, The Long Nose, and other Tales of History]

E aí? Dá pra usar algum desses pontos no seu dia a dia?



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