Pitacos da estagiária

O #ISA13 é o primeiro evento de grande porte que eu tenho o prazer de participar. Bom, então vocês podem imaginar que eu sou nova na área, afinal o ISA é o maior evento de design de interação e todo designer que se preze vai ao Interaction… É isso ai, sou ‘mirim’ ainda, e eventos assim sempre me ensinam MUITO! Mas vamos parar de enrolar e deixa eu contar um pouco do que eu aprendi lá…

Palestra #2 Pedro Miguel Cruz: o designer português manja de dataviz! Caramba! Ele nos mostrou vários exemplos de visualizações sobre o transito em Lisboa. Cada visualização tinha a função de representar um tipo de analise, ou seja, um era para representar os pontos com maior lentidão, outro era para representar o fluxo dos carros durante o dia nas ruas etc.

Na volta para São Paulo eu sentei na janela do avião e quando olhei de cima para a minha cidade natal eu percebi uma coisa… A visualização de dados está por toda parte, basta saber identificá-los e dar um sentido a eles. Por exemplo, de cima eu vi São Paulo à noite, iluminada – até aí nada demais, mas eu consegui identificar onde havia uma concentração maior da população, pois era onde havia maior luminosidade no mapa.

Conhece a história do John Snow, o percursor do dataviz? Ele era um médico, e através da visualização de dados conseguiu descobrir como se dava a transmissão da cólera. Isso em 1850 e pouco! O mundo é uma grande base de dados a serem estudados.

Palestra #8 Dana Chisnell: a designer americana foi polêmica. Ela discutiu a técnica de teste em laboratório. Será que com esse tipo de teste conseguimos todos os insumos necessários para avaliar uma interface, produto ou serviço?

Eu sempre achei que não, sempre achei que não é um teste que vai dizer que alguma coisa é boa ou funciona como deveria. Pelo que eu pude entender da fala da palestrante, ela acredita que pesquisas contextuais sejam mais eficazes que as pesquisas fechadas nos laboratórios – e eu também acredito nisso, mas vale ressaltar que o aprendizado não se encerra em uma pesquisa, contextual ou não. A sociedade se reinventa o tempo todo e novas gerações surgem com novas habilidades, então a pesquisa nunca acaba, sempre se renova junto com esse novo publico que surge. E as empresas que entendem isso são as que realmente inovam, pois inserem o usuário como parte do processo de desenvolvimento do produto ou serviço. Infelizmente, pesquisas contextuais são muito caras e por isso não são tão recorrentes quanto as pesquisas em laboratório.

Palestra #9 Marc Stickdorn: nossa, que palestra! Foi de tirar o folego mesmo! Eu sempre achei Service Design um metodologia para inovação incrível, pois, apesar de eu achar o nome muito ‘marketeiro’, o foco dessa metodologia é estudar o usuário do inicio ao fim (que nunca chega). Idealmente a função do Service Design é permitir que o designer descubra o real problema a ser solucionado e como deve ser essa solução, sempre levando em conta as necessidades identificadas através das pesquisas com os usuários.

É louco pesar que a pesquisa vai começar sem sabermos direito qual é o problema a ser solucionado, mas não pode ter medo, somos bons no que fazemos e sabemos como mapear problemas 🙂 E outra, essa pesquisa inicial é importante, porque muitas vezes a gente acha que alguma coisa é o problema, mas na realidade a questão é outra. Inserir o usuário em todos os momentos do design, desde a problematização, concepção, desenvolvimento, prototipação, implementação… (e isso é um ciclo) é importante para entender a jornada do usuário e ver o que é um problema e como pode ser a solução mais adequada.

Nessa palestra o foco foi explicar sobre essa metodologia.

Palestra #11 Luciano Meira: e claro que eu não poderia não citar essa palestra, afinal, representou muito bem a área no meio de tantos palestrantes estrangeiros…

Aqui pudemos perceber o que é UX de verdade. A discussão ficou voltada para a questão do uso de games na educação, que eu particularmente acho muito mais eficaz do que essa educação militar que temos. Entretanto, os jogos desenvolvidos para a educação não são lúdicos o suficiente para prender a pessoa ali, né? Lembro que quando estava no ‘prézinho’ tinha uma aula de ‘novas tecnologias’ e lá a gente ficava brincando com uma tartaruga (não falo mais sobre o jogo e não coloco referência aqui, porque só Deus sabe como foi difícil de eu lembrar desse fragmento..)… Bom, o que eu quero dizer é: Viu? Eu não lembrei desse jogo, não sei o que precisava ser feito, só lembro que existia, pq era mágico ter aula de ‘novas tecnologias’ na escola, especialmente porque eu nem computador tinha em casa!

Entendeu? Não? Ok, as vezes eu sou difícil de entender, rs… Experiência é memória! Jogos lúdicos, além de mais interativos, fazem com que a experiência seja mais agradável. E como a memória é ativada? Através de experiências… Tudo aquilo que não é impactante/gere uma experiência marcante não fica guardado na memória.

A educação hoje está muito ultrapassada e monótona. Os estímulos externos são tão mais chamativos que essas experiências são as que ficam registradas, e não as geradas na sala de aula. O palestrante falou sobre um projeto próprio que melhora a experiência do aluno com o jogo educativo e me pareceu ótimo!

Palestra #13 Jared Spool: essa palestra só me fez confirmar ainda mais minha ideia sobre os norte-americanos… Eles sabem fazer um show! HAHAH #BixaMá

Não, sério, foi uma boa palestra, mas não disse nada que a gente já não soubesse sobre o desenvolvimento de sites mobile. Enfim, aquilo sobre mobile first continua valendo e está super relacionado com experiência do usuário. Já conversamos sobre isso aqui na Saiba +. A palestra se voltou à discussão: para a versão mobile devemos cortar um monte de conteúdo ou não? Para o Jared Spool sim, contanto que não seja uma informação importante (mas tudo bem, o risco de cortar algo importante é baixo já que 90% é lixo… Oo). Para ele isso gera uma experiência melhor no mobile, até porque o espaço é pouco. Bom, acho que essa discussão já está manjada, não?

O evento foi ótimo, especialmente para iniciantes. Vale a pena para criar senso critico e conhecer novas opiniões…. Mas preciso admitir que ir para Recife foi mais legal, afinal, era minha primeira vez no nordeste, vai?! *-*



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