Fazer o bem é a nova killer app

mão prótese

O SXSW este ano tem uma parte da programação voltada a fazer o bem: o SXgood. Não sei dizer se é uma tendência, uma moda, ou se a água bateu no traseiro e temos-que-fazer-alguma-coisa. No atual estado de otimismo fueled by Austin em que me encontro, tendo a crer que é uma legítima preocupação com o próximo (e com o planeta), além de um caminho sem volta. Que atrai importantes apoiadores: o SXSW Social Good é patrocinado pelas Nações Unidas e Google.

Muitas ONGs vêm ao SXSW apresentar seu trabalho em busca de investidores. A conta é simples: o terceiro setor não tem verba. Austin está cheia de empresas que têm.

Mas é fácil perceber quando a iniciativa é de fachada. Aparecer como o novo benfeitor do mercado para ganhar likes – mas não agir de maneira realmente efetiva, fazer o contrário do que prega ou não dar continuidade às ações. Fora a notória dificuldade que as organizações têm para conseguir apoio a causas menos “sexies” – como programas para a terceira idade -, meio espinhosas – como direitos reprodutivos -, ou consideradas desimportantes – como proteção animal.

Por outro lado, é preciso manter ligado o olhar cínico para conseguir ver o paternalismo que envolve algumas iniciativas, principalmente partindo de americanos. Que têm essa mania de achar que são os grandes salvadores dos povos menos desenvolvidos e privilegiados do terceiro mundo. Afinal, quem define o que é fazer o bem?

Às vezes é muito evidente: na palestra de Eve Simon – “Is social good the next killer app?” – sentou ao meu lado John Schull, que chamou atenção ao entrar na sala atrasado, com uma prótese de mão. John estava no SXSW em busca de dinheiro e colaboração para dar continuidade ao seu projeto. Ele teve a ideia de unir proprietários de impressoras 3D dispostos a ajudar famílias de crianças que precisam de próteses, e criou a enablingthefuture.org. “We make children smile, parentes weep and geeks rejoice”, disse John. Enxuguei uma lagriminha. A internet, na minha opinião, é para isso: espalhar amor.

PS: se você, que está lendo isso, representa uma empresa que quer se envolver de verdade com os que esses gringos chamam de social good, queremos trabalhar com você. Entre em contato: alenahra@saiba-mais.com

 

* Texto publicado originalmente no blog do Meio e Mensagem em 17 de março de 2015.


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Alessandra Nahra

Escrevo, cuido de bichos, danço, cozinho, planto e tento ser amável com todo mundo.

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