O que aprendi com o teste de usabilidade – Bruno Evangelista, Qualcomm

Bruno Evangelista

A Qualcomm é uma multinacional de telecomunicações que produz tecnologia de transmissão de dados sem fio, 3G e 4G, semicondutores e processadores para smartphone. Como eles dizem no site, “a frequência com a qual as pessoas ao redor do mundo tocam em algo feito pela Qualcomm é de bilhões, trilhões de vezes”… por dia. Bruno Evangelista é gerente sênior de desenvolvimento de negócios da área chamada ecossistema de Apps/SW (aplicativos de softwares) para a América Latina.

Ele foi um dos responsáveis pelo teste de usabilidade executado pela Saiba+ no final de 2015. Foi um teste diferente: em vez de examinar uma interface, observamos como os usuários utilizam seus smartphones – quais aplicativos possuem, como navegam, como usam os recursos nativos. Bruno conta aqui o que motivou o projeto e quais foram os resultados.

Como é o seu trabalho na Qualcomm?

Estou em uma área chamada ecossistema de Apps/SW para a América Latina. Sou responsável pelo relacionamento de softwares/aplicativos com operadoras de telecomunicações, fabricantes de dispositivos móveis e desenvolvedores. Uma das minhas missões é identificar as necessidades dos consumidores nos smartphones e incentivar o desenvolvimento de software ou aplicativos focados no mercado local.

Por que vocês decidiram fazer um teste de usabilidade?

Apesar de termos diversas fontes de dados do mercado, experiência na área e ótimos profissionais, sempre fica a dúvida sobre se estamos no caminho certo. E quando você começa a fazer o seu planejamento estratégico para os próximos seis meses, você percebe que faltam muitos elementos para melhorar a pontaria da estratégia. O teste foi um dos itens que identificamos como auxiliar para compreender o que está na cabeça do consumidor. Pensamos que um teste poderia contribuir fortemente para nossas decisões no futuro próximo.

Por que optaram por esta metodologia?

Realizamos, anualmente, uma pesquisa de aplicativos para o mercado brasileiro, com o Ibope. Mas queríamos inovar, e eles nos apresentaram a Saiba+. Então vimos que um teste de usabilidade seria uma oportunidade muito boa para inovar e validar algumas teorias antigas e novas: será que estamos focando nos recursos que o consumidor realmente gostaria? Estamos focando no que o consumidor realmente sente falta?

O que vocês esperavam dos testes?

Como nunca tínhamos feito nada parecido, a expectativa estava muito alta. Conseguimos chegar lá e até ultrapassar. Revertemos algumas decisões do passado e incluímos itens que estavam fora do radar do nosso planejamento. Nunca havíamos realizado nenhum teste desses, mundialmente falando, de usabilidade do smartphone.

O que vocês acharam dos resultados dos testes?

Excelente! Estar junto dos consumidores, perceber suas reações, escutar suas dificuldades, qual tecnologia e como é usada, entre inúmeras outras questões respondidas. Isso não tem preço. Foi uma experiência muito enriquecedora. O teste foi muito valido para dizer pra gente em quais recursos temos que focar nos próximos seis a doze meses. Agora temos insumos para dizer o que precisamos para o mercado nacional.

O que vocês fizeram com os resultados dos testes?

Nós usamos como fonte de dados em nosso planejamento estratégico para o departamento, no qual definimos quais tecnologias e recursos precisamos desenvolver para melhorar a aceitação do nosso produto pelos consumidores. E validamos várias “crenças” que tínhamos no passado, itens que havíamos deixado de lado e agora retornaram às pranchetas de projeto. A gente falava muito em music streaming, por exemplo, e percebemos que as pessoas não usam, usam o famoso FM, que é de graça. Testamos também a adesão a novas tecnologias que estamos desenvolvendo. Enfim, conseguimos cobrir diversos aspectos de diferentes ângulos.

O que você aprendeu com o teste de usabilidade?

Quando começamos a conversar sobre a proposta, fica sempre aquela dúvida sobre qual o resultado prático disso a Qualcomm teria. Se considerarmos que já temos acesso a muitos dados e pesquisas de mercado de diversas empresas, fica mais difícil de acreditar em um resultado positivo. No entanto, eu tenho comigo quatro páginas com muitas anotações das entrevistas, quase faltou papel e caneta de tanto que anotei e rabisquei meus rascunhos.

Vocês pretendem realizar outros testes de usabilidade?

Sem dúvida, foi muito boa a experiência e acreditamos que seja a melhor forma de conhecer seu consumidor profundamente. Eu posso te garantir que aprendi muito com os testes e quero continuar fazendo periodicamente.

 

Bruno Evangelista é formado em processamento de dados e pós-graduado em administração com planejamento estratégico e especialização em Liderança, Gerenciamento, Inovação e Estratégia. Trabalha na Qualcomm há quatro anos.

 


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Alessandra Nahra

Escrevo, cuido de bichos, danço, cozinho, planto e tento ser amável com todo mundo.

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