Como garantir a qualidade da amostra em um teste de usabilidade?

Teste de usabilidade

Esse é o segundo post da série que explica o passo a passo de um teste de usabilidade. Depois da fase de planejamento – na qual você definiu os objetivos, o público, e a estratégia -, é hora de iniciar o recrutamento.

Mas calma: ainda não dá para pegar o telefone e sair convidando pessoas.

De todo o processo que envolve um teste de usabilidade, o recrutamento é um dos pontos mais delicados: se você não conseguir as pessoas certas para sua pesquisa, todo o restante será comprometido. E o que é a pessoa certa? Bem, não é necessariamente aquela que encontra tudo com facilidade, nem mesmo a que, ao contrário, se perde horrores para navegar – mas podem ser ambas. A pessoa certa é aquela que está no perfil correto, o verdadeiro usuário da sua interface. Só ele vai te mostrar quais as dificuldades que enfrenta quando acessa seu site, dispositivo móvel, sistema etc. e te dar insights sobre como resolver os problemas que o fazem querer arremessar o computador pela janela.

Para garantir a qualidade da amostra, é necessário tomar certos cuidados:

– Quando o teste de usabilidade nasce, lá na etapa de orçamento ou concorrência, geralmente já vem com uma amostra um pouco definida: vamos falar com X pessoas, deste, deste e deste público. O que não significa que isso não possa mudar quando o teste efetivamente for começar.
Então, a primeira grande reunião, a de briefing do teste, é muito importante não apenas para definir o roteiro do que vai ser testado, mas quem vai fazer parte do estudo. O papel do analista nesse momento é questionar: esses são todos os públicos-alvo da interface? Precisamos falar com todos ou vamos escolher os mais representativos? Tem alguém que não é atendido hoje pela interface e precisa ser?

– Se uma coisa que nossos amigos da pesquisa de mercado nos ensinaram e que é imprescindível para se ter um bom recrutamento é elaborar um filtro, ou seja, o questionário que os recrutadores usarão para definir se as pessoas abordadas pelo telefone fazem parte do público-alvo da pesquisa ou não.
No filtro para testes de usabilidade, não podem faltar perguntas relacionadas ao hábito de uso da internet e do celular, assim você conseguirá ter uma ideia se seu participante tem um nível básico ou avançado no uso dessas interfaces e mesclar sua amostra.

– As outras perguntas do filtro devem se referir a dados pessoais do entrevistado – geralmente a renda familiar ou pessoal é importante para ajudar a definir o público do estudo – e questões específicas relacionadas ao seu projeto, que vão tentar mapear se a pessoa faz parte do perfil desejado.
Aqui, uma dica: cuidado para não dar a resposta pronta para os participantes. As pessoas abordadas sabem que receberão um incentivo, na maioria das vezes em dinheiro, para participar da pesquisa, então a maioria quer muito participar e se esforça para dar a resposta “certa” durante as abordagens. Se você quiser saber quais aplicativos de culinária, por exemplo, o entrevistado acessa, faça a pergunta, mas sem dar as alternativas.

– Aqui vale abrir um parêntese: se a interface que você vai testar já está no ar, uma boa alternativa é recrutar através dela mesmo; as pessoas que quiserem se candidatar respondem uma breve pesquisa online e depois você aplica o restante do filtro por telefone.
Esse tipo de abordagem é bastante positiva se: 1. seu site ou aplicativo tem público suficiente para gerar um bom número de interessados pela pesquisa; 2. seu cronograma é flexível (afinal, você depende do interesse dos usuários); 3. seu teste de usabilidade puder ser remoto (vão surgir interessados do Brasil todo, mas em último caso você pode restringir o estudo à sua cidade, deixando essa infomação clara na própria pesquisa online).

Com o filtro fechado e validado com o cliente, aí sim pode-se iniciar o recrutamento. Assunto para o terceiro post da série, em breve.


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Ana Coli

Escolhi o jornalismo como profissão, mas a vida me levou para outros caminhos. De redatora de matérias para portais online, passei a arquitetar as estruturas de interfaces digitais e, assim, conheci o mundo da UX. De uma profissão para outra, trouxe e mantive a paixão por entrevistar pessoas. E lá se vão 15 anos.

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