Saiba+ no Path

No segundo fim de semana de maio, São Paulo recebeu mais uma edição do Festival Path. Inspirado no SXSW, o Path tem como foco inovação e criatividade, trazendo uma variedade de eventos simultâneos. Foram palestras, shows, filmes, exposições e rodadas de negócio, tudo distribuído em algumas das localidades mais importantes do mapa cultural de Pinheiros, como o Instituto Tomie Ohtake, o Centro Cultural Rio Verde e o Teatro Cultura Inglesa.

Nossos UXers Fernanda Diaz Morales, João Paulo Barros e Victor Carvalho contam pra gente o que de mais bacana encontraram pelo Path.

@Fernandadiaz

Neste ano o festival Path trouxe em sua programação alguns temas que dão aquela vontade de transformar o mundo. Quem vive em São Paulo sabe que a cidade está em transformação, é claro que temos muitos problemas a serem resolvidos, mas há muita coisa legal sendo feita por pessoas que resolveram mudar a cara da cidade sem esperar pelo poder público. A maioria dos projetos que pude conhecer no Path surgiu de pessoas que se encontraram com uma ideia comum e resolveram colocar a mão na massa; assim surgiu o coletivo Cidade Ativa, que apresentou algumas iniciativas de como ter um estilo de vida mais ativo na nossa amada e odiada selva de pedra.

Foi também no Path que pude conhecer o conceito Lowsumerism, (low + consumerism), que é um movimento que prega uma ideia simples: ser mais consciente e consumir menos. O pessoal da  Box1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento, fez um vídeo que mostra a evolução do consumo ao longo dos últimos anos e para onde estamos caminhando.

Mesmo não conhecendo esse conceito, eu já tinha notado um movimento crescente de amigos e pessoas próximas que estão repensando sua forma de consumir. Aqui mesmo na Saiba+ já promovemos bazar de troca de roupas entre todos, e é fácil encontrar algum sabidinho no horário de almoço passeando no brechó que fica ao lado do nosso escritório.

@joaobarros
Foi a primeira vez que participei de um festival nesse formato: muitas palestras simultâneas, diversos assuntos interessantes e horários apertados. Isto acabou tornando as horas iniciais do festival um pouco confusas, porém no decorrer do dia, quando as coisas acalmaram e já estava situado de como seria a vibe do evento, tudo ficou mais fácil e mais proveitoso!

Estava um pouco ansioso para assistir as palestras sobre Internet of Things, Virtual Reality,  Wearables e descobrir como essas novas tecnologias vão impactar nossas vidas, criando novas relações do físico e digital. Mas acabei ficando mais surpreso com as palestras que estavam relacionadas a comportamento.

As palestras do segundo dia foram as que mais me cativaram.  A SP que nos torna invisíveis apresentou o coletivo, criado por André Solar e Vinícius Lima, que tem como objetivo escutar e contar histórias sobre os moradores de rua de São Paulo. O projeto não tem o objetivo de ajudar essas pessoas, “porque pessoas invisíveis não podem ser ajudadas”, mas de tirá-las do anonimato através do compartilhamento de suas historias. Eles relatam experiências – e estas têm a possibilidade de transformar pessoas.

Outra palestra interessante foi Revelando oportunidades para um estilo de vida mais ativo, na qual Gabriela Callejas e Rafaella Basile, do coletivo Cidade Ativa, apresentaram o manual Active Design Guidelines, e mostraram como a cidade de São Paulo poderia de ser tornar mais ativa e como isso poderia impactar nossas vidas.

@victorxcarvalho
Em meio ao turbilhão de palestras, filmes, música e pessoas incríveis expondo todo potencial humano para cultura e tecnologia, acabei acompanhando duas categorias marcantes no evento: realidade virtual e games – discutindo, a partir disso, a fusão do físico com o digital.

Havia muitas produtoras de conteúdo e startups de tecnologia espalhadas pelos andares do Instituto Tomie Ohtake, demonstrando seus gadgets que prometem ser o futuro não só do entretenimento, mas de toda comunicação. Ferramentas que fundem o digital e o físico em uma experiência altamente imersiva. Experimentei em um stand a mistura do Oculus Rift com o Leap Motion. O primeiro te faz entrar no mundo virtual através dos óculos com estereoscopia que cria a perspectiva 3D, o segundo gadget possibilita movimentar suas mãos naturalmente dentro do mundo virtual, através de um sensor de movimentos ultra sensível. Na demonstração, peguei objetos virtuais e os manuseei como faria no mundo físico, movimentava dedo por dedo, enquanto a mão virtual repetia meus movimentos com uma perfeição intrigante. As aplicações dessas tecnologias são infinitas: além dos games e entretenimento, é uma nova forma de ferramental para arte, medicina, educação e outros milhares de usos . Essa área já está instigando UX Designers sobre como desenvolver interfaces em um lugar 3D, onde não há tantos periféricos de input como teclado e mouse. Ao invés disso, gestos e movimentos no ar fazem a interação com o ambiente virtual. As interfaces invisíveis e naturais são o futuro em um mundo hoje pensado somente em elementos gráficos 2D.

Na parte de games, pude participar de um bate papo sobre o e-sports (esportes eletrônicos) e discutir sobre a inclusão deles na mídia de massa e como estão se transformando em uma paixão como qualquer outro esporte físico. São campeonatos mundiais e milhares de pessoas acompanhando seus times favoritos jogando através de computadores. Com mercado aquecido e audiências que ultrapassam outros esportes físicos nos EUA como a NBA, vem intrigando e questionando o que realmente é esporte.

Em outra palestra conheci um projeto incrível de gamificação para engajar crianças a uma alimentação mais saudável. A Legião dos Super Poderes une com maestria o digital e o físico. De forma lúdica, as crianças equipadas com pulseiras especiais – que se comunicam com o aplicativo do projeto – ganham pontos por se alimentar melhor e praticar atividades físicas. Consequentemente, esses pontos viram poderes para seu avatar digital, necessários para passar de fase dos joguinhos do site. Com apoio dos pais e comércio local, alcançou praticamente 100% das crianças da cidade onde o projeto piloto está sendo testado e tem tudo para se espalhar pelo Brasil inteiro em breve.

 


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Ana Coli

Escolhi o jornalismo como profissão, mas a vida me levou para outros caminhos. De redatora de matérias para portais online, passei a arquitetar as estruturas de interfaces digitais e, assim, conheci o mundo da UX. De uma profissão para outra, trouxe e mantive a paixão por entrevistar pessoas. E lá se vão 15 anos.

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