Cidades inteligentes e projetos para a coletividade

Palestrei no TDC e voltei inspirada pelos projetos para melhorar o mundo

Pessoas que fazem projetos com o único intuito de ajudar a comunidade em que vivem, tornar o mundo um lugar melhor, ter do que se orgulhar… Como não amar?

O Gustavo Muniz do Carmo, por exemplo, é um desenvolvedor que criou um aplicativo para que as pessoas denunciem veículos a diesel que emitem poluição acima do permitido. Gustavo teve a ideia do app ao se mudar para São Paulo e começar a sofrer de doenças respiratórias decorrentes da poluição absurda da capital paulista. Ao pesquisar sobre o tema, ele constatou que os carros eram os maiores poluidores – foi daí que saiu a ideia do “Post Fumaça Preta”. O desenvolvedor chegou a firmar uma parceria com a Cetesb, o que permita que os motoristas denunciados recebessem um material educativo sobre a questão, já que a agência ambiental não tinha permissão para multar os carros (e nem era esse o intuito do aplicativo).

Outro dev, o Lucas Pfeiffer Salomão Dias, queria fazer um projeto de conclusão de curso do qual pudesse se orgulhar. Depois de alguma pesquisa, chegou ao conceito do Sigte: um aplicativo que indica o hospital público com menor tempo de espera para o paciente. O Sigte consegue balancear os pacientes entre os hospitais cadastrados no sistema e, em caso de mudança de cenário (por exemplo, o hospital recebeu um número grande de pessoas e a espera dobrou de tempo), notifica o usuário durante seu trajeto para ele possa ir para outro hospital com fila menor. Lucas rodou um teste com os hospitais de Porto Alegre e agora espera parcerias para que o aplicativo possa avançar.

Tanto Gustavo quanto Lucas abriram os códigos dos aplicativos e esperam contribuições da comunidade de desenvolvedores para que consigam aprimorar os projetos.

Também nesse sentido, as UXers Lu Terceiro e Matina Moreira tocam o Coletivo Mola, que leva a metodologia de Design Thinking para start ups. Como essas empresas geralmente não têm dinheiro – não estamos falando daquelas start ups de revista, com investidores saindo pelo ladrão –, o trabalho é pro bono: feito com muito carinho e recompensado em expertise. Segundo a Lu, um dos objetivos do coletivo é fomentar o empreendedorismo no País e o grupo se orgulha muito da contribuição que vem proporcionando.

Onde vi tudo isso? Na 10ª edição do TDC (The Developer’s Conference), na qual tive a oportunidade de palestrar (minha fala foi sobre testes de usabilidade, na trilha de UX Design). Uma das coisas mais bacanas que podem acontecer em um evento é você sair dele inspirado. E, nesse quesito, o TDC cumpriu muito bem o seu papel.

As palestras do TDC estão disponíveis no site do evento.

Aqui e aqui, um pouco da cobertura.

Update: Quem estiver no clima de fazer o bem, segue tuíte do Marco Bruno (@marcobrunobr)
“Grupo no Slack que criamos para juntar a galera de #UX e #FrontEnd com o objetivos de fazer projetos opensources: https://slackin-front-end-ux-brasil.herokuapp.com/”


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Ana Coli

Escolhi o jornalismo como profissão, mas a vida me levou para outros caminhos. De redatora de matérias para portais online, passei a arquitetar as estruturas de interfaces digitais e, assim, conheci o mundo da UX. De uma profissão para outra, trouxe e mantive a paixão por entrevistar pessoas. E lá se vão 15 anos.

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